la kermés + pé de boi 18-11-2006

O passado sábado 18 visitárom-nos em Vigo os madrilenhos de La Kermés [1], acompanhados dos ulháns (do Val do Ulha) Pé de Boi [2]. Em verdade, foi uma de essas veladas que fam que um se reconcílie coa profission de músico. O concerto era organizado pelos Centros Sociais A Cova dos Ratos [3] e mais A Revolta.

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Nem há provas, nem as haverá

Este domingo, aproveitando que os meninos marcharam cedo, fiz algo que levava tempo sem fazer: meter-me no corpo uma sesao dupla de cine. Os filmes escollidos forom Scoop de Woody Allen, e GAL de Miguel Courtois, nesta orde.

Woody Allen é um director que acostuma a agasalhar-nos tudos os anos uma película. Como acontece com Ken Loach, acodir a ve-la é como o prazer de se reencontar cum velho amigo. Nesta ocasao Allen volve trabalhar com Scarlett Johannson, uma grande actriz e provavelmente a mais explosiva do planeta neste momento. Allen disfarça a sua beleça tras uns óculos e umas roupas que fam-na parecer um chisco mais gorda do que em realidade é, mas nas cenas de cama, quando Johannson pousa os óculos na mesinha-de-noite, é impossível evitar que a sensualidade felina desta mulher invada o ecrá cuma brutalidade dificil de descreber com palavras. Allen regala-nos uma cena com Scarlett em traje de banho ao comezo da película, e já contra o final da mesma, um outro plano dela saindo do lago completamente molhada e coa roupa pegada ao corpo que corta o impo. Os varoes heterosexuais com problemas cardiacos deveram evitar olhar esta última cena.

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Madrid nao paga a traidores

A notícia da saida da vida política de Pasqual Maragall nao por agardada deixa de ser uma má notícia. Nao pela saida em si, evidentemente, senao pelas circunstâncias nas que esta se produziu.

A trajetória política de Pasqual Maragall é desconhezida d’abondo para mim, pelo que nao vou a opinar do que nao sei. Mas nao se pode negar que este homem conseguiu sacar adiante e levar a Madrid, nao sem muito trabalho, um Estatut consensuado por tudos os partidos políticos com representaçao parlamentária em Catalunya, agás o Partido Popular.

Suponho também que ninguem em Catalunya agardava que o Estatut volveria de Madrid sem algum retoque. Mas o que nos surpreendeu a tudos os cidadaozinhos de a pé foi que o presidente espanhol e membro do seu mesmo partido, Jose Luis Rodriguez Zapatero, pactara um desvirtuado Estatut com o principal partido da oposiçao a Maragall, Convergencia i Unio, o que foi o mesmo que pôr a sua cabeça numa bandeixa, como bem ironiza Pepe Carreiro na portada d’A Nosa Terra desta semana (1). Dizem que Zapatero tomara já havia tempo a decisao de prescindir dele. E conhezia Maragall o seu futuro?

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caminho a Guantânamo

Caminho a Guantânamo é com provabilidade um dos milhores filmes que levo visto na minha vida. Sei que soa exagerado, mais assim é. Formalmente é case perfeita, redonda e leve coma uma bola de sabao. Mas no contido, na história que conta, agocha uma autêntica carga de profundidade.

O filme conta a história de quatro amigos vinteanheiros, residentes na Grande Bretanha mas oriundos do Paquistao, que aproveitam a voda dum deles para tomar-se umas ferias no seu pais de origem. Tudo transcorre com normalidade até que decidem viaxar por uns dias a Afganistao, onde se vive o ambente de pre-guerra prévio a intervençao estadounidense do 2001, coa ideia de conhezer de primeira mao a realidade do pais e ajudar aos seus vizinhos no possível. A guerra estoura, desata-se o caos e eles rematam em Kunduz, onde tras sobreviver de miragre ao bombardeio da cidade sao feitos prisioneiros e conducidos a Guantânamo.

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sou uma menina de papá

Sou uma menina de papá e de mamá, porque o domingo nao fui à manifestaçao. A gente que conhezo trabalha de segunda a sexta numa oficina e os fins de semana em sua casa fazendo horas extras. Nao é por prazer, levamos sem sair desde o Natal para pagar a nossa vivenda digna. Na manifestaçao insultaram e desqualificaram à gente que está na minha mesma situaçao, e por isso peço um pouco mais de respeito. Os políticos nao escuitam as manifestaçoes, assim que eu prefiro luitar pelo meu futuro por mim mesma. Se tenho tempo, vou a elas, se nao, trabalho. Se isso fai que a minha vida seja cutre, sem sentido e que seja uma menina de papá, sim, senhores, o sou.

Como dizia Apu o outro dia num capítulo dos Simpsons, nao sei qual parte de este texto corrigir primeiro. É uma carta aparecida na ediçom impresa do 20 Minutos na terça 23 de maio, com ánimo de criar discussao, como todas as que lá aparezem. Desde logo, uma menina de papá nao sei, mas um bocadinho ghilipolhas sim é, esta mulherinha.

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a realidade supera à ficçom

No Diagonal nº 28 do 12 de abril aparez uma brincadeira, no suplemento de humor que insertam cada número nas páginas centrais, na que Bem Ladem reivindica num vídeo feito público pela cadea Al Jazeera a convocatória dos macro-botelhons “que se multiplicam pela geografia espanhola nas últimas semanas” [1].

Infieis, nunca mais poderedes durmir tranquilos, porque em qualquer lugar do mundo os nossos muyahidenes estam preparados para atacar o vosso jeito de vida e impediros o descanso”. E é que olhando a alarma social criada pelos mídia com este tema, que parecia que se achegava o apocalipse com cada nova convocatória, dava a sensaçom de que efetivamente uma reivindicaçom do Bem Ladem ia-se produzir em qualquer momento. A broma continuava expondo as reacçons de autoridades, políticos e medios de comunicaçom a este comunicado.

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da minha pele cara adentro mando eu

Entre os panfletos que repartiam na mani do 1º de Maio (curiosamente, este ano sem ir na sua procura apanhei-os tudos) derom-me um da Asociaçom Viguesa de Estudos da Maria. Nele convidam a participar na primeira convocatoria da Global Marijuana March em Vigo, que terá lugar o vindeiro 6 de maio a partires das 19:00 h. na praza da Constituiçom, e na que se exigirá a despenalizaçom do consumo de drogas. Podedes visitar o seu site e descarregar o panfleto em formato PDF em http://humano.ya.com/ave_maria.

Esta asociaçom leva já anos funcionando em Vigo, e sao conhecidos de cara ao público por serem os convocantes do Sao Canuto todos os anos. Tenho de reconhecer que, embora levo consumindo haxixe e marijuana de jeito habitual nos últimos vinte anos, nunca participei em actos deste tipo nem organicei-me em asociaçom alguma. Porém, estou a prol da despenalizaçom absoluta do consumo de drogas, e por suposto, este tipo de iniciativas tenhem todo o meu apoio.

Mas o que chamou a minha atençom, e o motivo pelo que escrebo estas linhas, é que na parte de atrás do panfleto, e tras uma breve apresentaçom das propriedades do cânhamo, incluírom uma série de recomendaçons dirigidas a aquelas pessoas que se iníciam no consumo destas sustâncias. Sao umas recomendaçons muito boas, surgidas sem dúvida de gente que leva muitos anos fumando. Nunca antes vira-as assim, numeradas e expostas de jeito tao didático, e como acho que uma mui boa ideia difundí-las, colo-as a continuaçom. Como bem dizem eles, fagades o que fagades, as drogas deveriam empregar-se para milhorar a qualidade das nossas vidas, nao para empeorá-la. Dispor da maior informaçom possível, e mais vindo de gente experimentada, pode ser uma ajuda para tomar a decissom mais ajeitada.

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a morte de Metak

Ao pensar em escreber estas linhas, decato-me que levo tuda uma vida adicando-me à música. Desde os treze ou catorce anos nunca deixei de tocar, primeiro em grupos de punk e rock, mais tarde em orquestras, para finalmente na actualidade recuncar na música tradicional, que foi a primeira formaçom que recebim. De feito, e mália que possuo diversas titulaçons, umas relacionadas coa música e outras nao, o único trabalho que tivem na minha vida foi o de músico profisional, o único que me deu um salário todos os meses durante anos, e o que me permitiu no seu dia independizar-me da casa dos meus paes. É por isso que me considero com algo a dizer ao respeito da que tanto se fala “crise do disco”. E estas reflexons veñem a conto da desapariçom da discográfica Metak (1), da que veño de enterar-me através do último número do Diagonal (2).

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sexo em Hogwarts

Os três amigos deixárom atrás o retrato da Senhora Gorda e penetrárom na sala comum dos Gryffindor. Por fim, depois de muita espera, conseguiram ficar sós. Levavam já tempo curtindo em segredo na Sala das Necessidades, mas esta era a primeira vez, ao estar tudo mundo de férias, que dispunham dos dormitórios enteiramente para si. Dirigirom-se cara ao dos rapazes, pois o encantamento do das rapazas, aquele que nao deixava entrar neles aos rapazes, continuava a funcionar eficazmente. Hermione, que seguia a ser a melhor em encantamentos nao verbais da aula de Feitiços, ergueu a sua varinha, e deseguido as camas de Harry e Ron ajuntarom-se convertindo-se numa soa o duplo de larga. Apos uns instantes de olhadelas e sorrisos nervosos, os três aproximarom-se. Os seus coraçons latejavam com força.

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racismo e futebol

O outro dia, há umas semanas, Eto’o fez intençom de abandoar o campo. Samuel Eto’o é jogador de fútebol, concretamente do FC Barcelona, e vem de ser escolhido por segundo ano consecutivo melhor jogador africano. Como tantos outros desportistas africanos ou latinoamericanos, emigrou a Europa na procura de trabalho, e desde entao leva anos aturando insultos racistas nos campos de fútebol. O outro dia, quando uma parte do público comezou a imitar os gestos dum mono, Eto’o botou a andar cara aos vestiarios. Já decidira e avisara há tempo que nao estava disposto a seguir aturando por mais tempo esse tipo de comportamentos, e só a intervençom dos seus próprios companheiros impediu que abandoara o campo, entre outras coisas porque se o chega fazer mui provavelmente teriam sancionado ao equipo anfitriom, o Zaragoza, ou incluso suspendido o partido nesse mesmo momento. Compre aclarar tamém que La Romareda, o estádio do Zaragoza, é desde que tenho memória refúgio de neonazis e fascistas, e de feito nesta cidade produzem-se ataques e agressons fascistas desde há quando menos uns quince anos.

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escolarizaçom em galego

Os meus filhos acodem à Escola Infantil Municipal de Lavadores, um extranho oasis num mundo onde os serviços públicos se desmoronam diante da incredulidade de trabalhadores e usuários. Porém as moças que trabalham ali nao som funcionárias; a gestom da escola é uma concessom municipal que o Concelho cede para a sua exploraçom.

Contodo, o seu funcionamento semelha-me modélico. Polo seu modelo educativo, polo que pagamos directamente os usuários –uma quantidade que se calcula em funçom da renda e que está a anos-luz das escolas privadas-, e polo espaço de participaçom que abrem para maes e paes. A verdade é que estou a hóstia de contente de ter conseguido praça ali, e porque por uma vez há algo que funciona para variar. O Concelho vigila o seu funcionamento de perto, e de feito foi a pressom dos usuários a que obrigou à escola a abrir uma canle de comunicaçom fluida cara aos paes e maes.

(Por certo, um aviso para aqueles com crianças de menos de tres anos sem escolarizar: agora é o momento de solicitar praça nalguma das Escolas Municipais ou da Junta para o curso escolar que comezará em setembro. Se nao o fazedes agora, o prazo pecha-se e logo já nao é possível aceder nem às escolas nem aos cheques escolares que concedem para aqueles que ficam sem praça. Chamade por telefone ou acodide ao Concelho e mais ao edifício da Junta para solicitar mais informaçom. Se nao o fazedes agora, logo já nao será possível, e dentro duns meses podede-vos arrependir!)

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dava-te assim!

Estes dias atrás apareceu na imprensa local de Vigo a notícia da concessom do Prémio Fernández del Riego de jornalismo, dotado com 12.000 euraços, a Eduardo Rolland, jornalista do Faro de Vigo. Tenho que dizer que gosto deste rapaz, assim que mira, alegro-me por ele.

Ademais, o artigo em questom expom sem ambages a mesquinhade de muitos castelam-falantes, e tamem galego-falantes, que acham ridícula e risível a normalizaçom do galego em ámbitos históricamente exclusivos do castelam. Algo que se cura indo dar uma volta polo país vizinho, onde a nossa língua está absolutamente normalizada desde há séculos. No que nao concordo com Rolland é em que a nosa seja uma língua pequena.

Para bem ou para mal, somos muitos milhoes de pessoas as que falamos galego-portugués ao longo deste planeta, e para amostra, eu já há meses que lim o último livro do Harry Potter, que saiu a venda em portugués ao mesmo tempo que a ediçom inglesa.

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