sou uma menina de papá

Sou uma menina de papá e de mamá, porque o domingo nao fui à manifestaçao. A gente que conhezo trabalha de segunda a sexta numa oficina e os fins de semana em sua casa fazendo horas extras. Nao é por prazer, levamos sem sair desde o Natal para pagar a nossa vivenda digna. Na manifestaçao insultaram e desqualificaram à gente que está na minha mesma situaçao, e por isso peço um pouco mais de respeito. Os políticos nao escuitam as manifestaçoes, assim que eu prefiro luitar pelo meu futuro por mim mesma. Se tenho tempo, vou a elas, se nao, trabalho. Se isso fai que a minha vida seja cutre, sem sentido e que seja uma menina de papá, sim, senhores, o sou.

Como dizia Apu o outro dia num capítulo dos Simpsons, nao sei qual parte de este texto corrigir primeiro. É uma carta aparecida na ediçom impresa do 20 Minutos na terça 23 de maio, com ánimo de criar discussao, como todas as que lá aparezem. Desde logo, uma menina de papá nao sei, mas um bocadinho ghilipolhas sim é, esta mulherinha.

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a morte de Metak

Ao pensar em escreber estas linhas, decato-me que levo tuda uma vida adicando-me à música. Desde os treze ou catorce anos nunca deixei de tocar, primeiro em grupos de punk e rock, mais tarde em orquestras, para finalmente na actualidade recuncar na música tradicional, que foi a primeira formaçom que recebim. De feito, e mália que possuo diversas titulaçons, umas relacionadas coa música e outras nao, o único trabalho que tivem na minha vida foi o de músico profisional, o único que me deu um salário todos os meses durante anos, e o que me permitiu no seu dia independizar-me da casa dos meus paes. É por isso que me considero com algo a dizer ao respeito da que tanto se fala “crise do disco”. E estas reflexons veñem a conto da desapariçom da discográfica Metak (1), da que veño de enterar-me através do último número do Diagonal (2).

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escolarizaçom em galego

Os meus filhos acodem à Escola Infantil Municipal de Lavadores, um extranho oasis num mundo onde os serviços públicos se desmoronam diante da incredulidade de trabalhadores e usuários. Porém as moças que trabalham ali nao som funcionárias; a gestom da escola é uma concessom municipal que o Concelho cede para a sua exploraçom.

Contodo, o seu funcionamento semelha-me modélico. Polo seu modelo educativo, polo que pagamos directamente os usuários –uma quantidade que se calcula em funçom da renda e que está a anos-luz das escolas privadas-, e polo espaço de participaçom que abrem para maes e paes. A verdade é que estou a hóstia de contente de ter conseguido praça ali, e porque por uma vez há algo que funciona para variar. O Concelho vigila o seu funcionamento de perto, e de feito foi a pressom dos usuários a que obrigou à escola a abrir uma canle de comunicaçom fluida cara aos paes e maes.

(Por certo, um aviso para aqueles com crianças de menos de tres anos sem escolarizar: agora é o momento de solicitar praça nalguma das Escolas Municipais ou da Junta para o curso escolar que comezará em setembro. Se nao o fazedes agora, o prazo pecha-se e logo já nao é possível aceder nem às escolas nem aos cheques escolares que concedem para aqueles que ficam sem praça. Chamade por telefone ou acodide ao Concelho e mais ao edifício da Junta para solicitar mais informaçom. Se nao o fazedes agora, logo já nao será possível, e dentro duns meses podede-vos arrependir!)

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