Quarta-feira, Março 22, 2006

escolarizaçom em galego

Os meus filhos acodem à Escola Infantil Municipal de Lavadores, um extranho oasis num mundo onde os serviços públicos se desmoronam diante da incredulidade de trabalhadores e usuários. Porém as moças que trabalham ali nao som funcionárias; a gestom da escola é uma concessom municipal que o Concelho cede para a sua exploraçom.

Contodo, o seu funcionamento semelha-me modélico. Polo seu modelo educativo, polo que pagamos directamente os usuários –uma quantidade que se calcula em funçom da renda e que está a anos-luz das escolas privadas-, e polo espaço de participaçom que abrem para maes e paes. A verdade é que estou a hóstia de contente de ter conseguido praça ali, e porque por uma vez há algo que funciona para variar. O Concelho vigila o seu funcionamento de perto, e de feito foi a pressom dos usuários a que obrigou à escola a abrir uma canle de comunicaçom fluida cara aos paes e maes.

(Por certo, um aviso para aqueles com crianças de menos de tres anos sem escolarizar: agora é o momento de solicitar praça nalguma das Escolas Municipais ou da Junta para o curso escolar que comezará em setembro. Se nao o fazedes agora, o prazo pecha-se e logo já nao é possível aceder nem às escolas nem aos cheques escolares que concedem para aqueles que ficam sem praça. Chamade por telefone ou acodide ao Concelho e mais ao edifício da Junta para solicitar mais informaçom. Se nao o fazedes agora, logo já nao será possível, e dentro duns meses podede-vos arrependir!)

Esta escola, ademais, é monolíngue em galego, pois assim o exige o prego de condiçons, polo que as coidadoras dirigem-se sempre às crianças em galego. Qual é entao a minha preocupaçom? Preocupa-me o futuro. Nao o da escola, senom o dos meus filhos quando cumpram os tres anos e tenham que abandoá-la para continuar a etapa de infantil numa outra escola, já sob a tutela da Conselharia de Educaçom.

O Decreto 247/95 da Junta da Galiza indica que na etapa de infantil e 1º ciclo de primária “utilizará-se a língua materna predominante entre o alunado. Terám em conta a língua ambiental e coidarám que adquiram de forma oral e escrita o conhecemento da outra língua oficial da Galiza, dentro dos límites próprios da correspondente etapa ou ciclo”. Isto significa que, no caso de Vigo, o idioma nas aulas de infantil será o castelam. Com sorte, haberá algumas actividades em galego, e pode que o profesorado o empregue para dirigir-se aos meus filhos, co resultado de que estes o abandonarám rápidamente incluso para falar com nós quando estejam na casa.

No resto da primária e na ESO a coisa apenas melhora. A lei estipula uma série de matérias que devem ministrar-se em galego, é dizer, uns mínimos, que em nengum caso chegam ao 50% das horas lectivas. No bacharelato o galego cae incluso por embaixo deses mínimos, e na FP o asunto alcanza já o grao de esperpento: [deverám ministrar-se em galego aquelas] áreas de conhecemento teórico-prático que facilitem a integraçom socio-laboral do alunado”, é dizer, a lei nao obriga absolutamente a nada. Pode-se consultar o texto completo em http://www.amesanl.org/lexislacion.html

Por se fora pouco, estes mínimos incumprem-se sistemáticamente por parte do profesorado, como sabe qualquer que tenha relaçom co ensino, e como vem denunciando desde há tempo a Mesa pola Normalizaçom Lingüística:

http://www.amesanl.org/noticias/noticia_tipo.asp?IDNOTICIA=124 http://www.amesanl.org/noticias/noticia_tipo.asp?IDNOTICIA=125

Desconhezo se há alguma escola em Vigo que sim os cumpra, mas isso nao vai solucionar o meu problema: a escolarizaçom dos meus filhos nao vai ter o galego como primeiro idioma, abandoarám a sua lingua materna e só a recuperarám, com sorte, coa chegada da adolescéncia.

É isto justo? Evidentemente nao, mas é o que há. Se fosse ao contrário, de seguro ocuparia portadas e tertúlias ao longo de todo o país. Mas eu tenho que me conformar co desenho de Estado decidido em Madrid. O galego, a língua que o nosso Estatuto reconhece como a própria da Galiza, é tratado na escola como algo folclórico, um segundo idioma ao nível do inglés ou do francés, e grazas. E o pior é que uma grande parte da povoaçom nao percebe esta situaçom.

Uma situaçom que provoca que o galego perda novos falantes cada ano que passa, máxime se temos en conta que a maioria deles concentram-se nas grandes cidades (1 de cada 3 cativos galegos nasce em Vigo). E independentemente disso, e o que mais me fode, é que os meus direitos lingüísticos nao estam garantidos. Por incrível que pareza, na Galiza nao podo escolarizar aos meus filhos em galego, teoricamente idioma co-oficial junto co castelam. Há quem me di que sim, que nas aldeias sim podo, mas eu vivo em Vigo, nao numa parróquia do interior, e ademais isso é duma mentalidade cativa que só conduz a perpetuar a diglósia.

A Mesa vem de conseguir um compromiso por parte da Conselharia de Educaçom para fazer cumprir o mítico Decreto 247/95 e modificar esta lei no futuro, de jeito que o galego acade o 50% da docéncia em primária e em secundária, e um mínimo dum terzo das horas lectivas em infantil em ambentes castelam-falantes:

http://www.amesanl.org/noticias/noticia_tipo.asp?IDNOTICIA=566 http://www.amesanl.org/noticias/noticia_tipo.asp?IDNOTICIA=572

É dizer, garantir e ampliar a presenza do galego nas áulas. Contodo, semelha-me uma vitória cativa, pouco ambiciosa. Incluso com esta reforma, na etapa de tres a seis anos seguirá predominando o castelám nas escolas urbanas. Espero que o objectivo final, a mais longo prazo, nao seja deixar a lei assim, senom conseguir um ensino maioritariamente em galego e que funcione como agente galeguizador, e nom des-galeguizador como é agora. E espero que haja vontade política abondo para levá-lo a cabo. Ojalá.

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