Sexta-fera, Abril 21, 2006

a morte de Metak

Ao pensar em escreber estas linhas, decato-me que levo tuda uma vida adicando-me à música. Desde os treze ou catorce anos nunca deixei de tocar, primeiro em grupos de punk e rock, mais tarde em orquestras, para finalmente na actualidade recuncar na música tradicional, que foi a primeira formaçom que recebim. De feito, e mália que possuo diversas titulaçons, umas relacionadas coa música e outras nao, o único trabalho que tivem na minha vida foi o de músico profisional, o único que me deu um salário todos os meses durante anos, e o que me permitiu no seu dia independizar-me da casa dos meus paes. É por isso que me considero com algo a dizer ao respeito da que tanto se fala “crise do disco”. E estas reflexons veñem a conto da desapariçom da discográfica Metak (1), da que veño de enterar-me através do último número do Diagonal (2).

Quando eu comezei em isto, lá pelos 80’s, gravar um disco nao era algo ao alcance de qualquer. Os estudos eram escasos e as gravaçons custosas. Naquela altura sim era imprescindível o respaldo duma discográfica para editar um vinilo. A alternativa barata, é um dizer, era gravar uma maqueta, mas era um trabalho penoso, em contra do relojo, e os resultados muitas vezes nao os esperados, incapazes de reflectir o poderoso som ao vivo dos grupos de punk-rock. Nunca agradeceremos o suficiente que o som “Seattle” e o hardcore melódico californiano rescatasem do segundo plano as guitarras eléctricas e desterrasem para sempre aquelas reverberaçons cavernosas. Para amostra, o Condenados a luchar – Borrokari loturik de Discos Suicidas (3), embora seria injusto nao acrescentar que sim existem boas gravaçons daquela época. Hoje em dia a situaçom é bem diferente, e gravar e editar um cd é algo bem mais accesível a tudo o mundo.

Mas a pregunta é: continua a ser preciso para um grupo ter algo gravado? A resposta é sim. Uma gravaçom permite amosar o teu trabalho aos promotores, promocionar o grupo em rádios e festas, que a gente poda escuitar-te nos seus reprodutores domésticos, amosa uma imagem sólida do teu projecto e sobe automaticamente o teu caché. O que já nao é necessário é uma discográfica para fazé-lo, e de aí a desapariçom de Metak. As discográficas só seguem a ser necessárias para lanzar produtos como Bebe, Madonna ou U2 e, contudo, já estam a diversificar o seu negócio: uma grande parte dos seus benefícios do ano pasado provenhem das descargas a telefones móveis. Para um grupo pequeno, cujos discos nunca forom uma grande fonte de ingresos, senom mais bem uma ferramenta de trabalho necessária mas complementária da sua actividade principal que som as actuaçons ao vivo, as campanhas que desenvolvem as discográficas para os seus produtos estrela som como falar-lhe a uma pequena cooperativa dos negócios de El Corte Inglés.

Seria prolijo relatar os atrancos que para muitos grupos significou ter que depender destas companhias, grandes ou pequenas, para sacar adiante o seu projecto, incluso renunciando aos direitos de autor da suas obras, nao remataríamos nunca. O bom de discográficas como Metak, ou como Propaganda pel Fet (4), que também aparece no mencionado artigo de Diagonal, é que reunem o bom da colaboraçom cuma discográfica sem a sua parte má. Trata-se de gente que ama á música, nao o negócio, porém fam o seu trabalho dum jeito sério e relacionam-se honestamente tanto co público ao que se dirigem como cos grupos cos que trabalham. É por isso que agora tudo o mundo laia-se de que desaparezam. Um contrato cuma destas discográficas pode supor para um grupo que comeza aforrar-se muitos atrancos fruto da inexperiência, entrar no circuito profisional de mao e valiosos contactos cos artistas “consagrados” na nómina da mesma companhia.

Mas estas mudanças nao tenhem porqué representar um passo atrás para estes grupos. Estas funçons podem-as realizar também as oficinhas de management, ou incluso as asociaçons de músicos. Enquanto ao o soporte e a distribuiçom, estará asegurada, tanto nas lojas como na internete, sempre que contineu a haver uma demanda, e essa demanda existe, como já dissemos, ainda que seja tam cativa como para que nao compense montar uma empresa para viver dela. Pelo contrário, quem nao viveu a ditadura do vinilo e a dependência das discográficas para a sobrevivência dos grupos, nao pode apreciar na sua justa medida o que significa a democratizaçom da gravaçom e ediçom dum disco, de jeito independente e a baixo custo, e cuma qualidade em compentência coas milhonárias inversons das grandes discográficas. Hoje em dia as facilidades para que um grupo faga chegar a sua proposta ao público son totais. Isso fai que haja mais ruido, mas por acima desse ruido sempre sobreanceará o bom, a gente nao é idiota, e as grandes companias, sempre atentas às oportunidades de negócio, também nao o som.

No que diz ao respeito dos companheiros e companheiras de Metak, se de verdade amam a música, continuaram coa sua laboura de promoçom desde novos projectos. Quaisquer que estes sejam, uma aperta e muitisima sorte. Aí seguimos, e aí nos vemos.

(1) www.musikametak.com

(2) http://www.diagonalperiodico.net/numero28.htm

(3) http://www.amedisk.com/catalog/index.php?cPath=42

(4) http://www.propaganda-pel-fet.info

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