Sexta-fera, Março 17, 2006

dava-te assim!

Estes dias atrás apareceu na imprensa local de Vigo a notícia da concessom do Prémio Fernández del Riego de jornalismo, dotado com 12.000 euraços, a Eduardo Rolland, jornalista do Faro de Vigo. Tenho que dizer que gosto deste rapaz, assim que mira, alegro-me por ele.

Ademais, o artigo em questom expom sem ambages a mesquinhade de muitos castelam-falantes, e tamem galego-falantes, que acham ridícula e risível a normalizaçom do galego em ámbitos históricamente exclusivos do castelam. Algo que se cura indo dar uma volta polo país vizinho, onde a nossa língua está absolutamente normalizada desde há séculos. No que nao concordo com Rolland é em que a nosa seja uma língua pequena.

Para bem ou para mal, somos muitos milhoes de pessoas as que falamos galego-portugués ao longo deste planeta, e para amostra, eu já há meses que lim o último livro do Harry Potter, que saiu a venda em portugués ao mesmo tempo que a ediçom inglesa.

Mas nao era isto do que queria eu falar, senom de que este mesmo jurado concedeu um outro prémio, o Julio Camba a textos em castelam, ao sr. Fernando Savater, do que sobram as presentaçons. O artigo leva por título ¡Te daba así! e comeza decindo “La más impresionante y modélica hazaña educativa que conozco empieza con un buen cachete dado en su preciso y precioso momento”. Foi publicado no jornal El País e só se atopa disponível em verssom de pago, polo que a continaçom colo os extractos que dele aparecem no Faro de Vigo. Pode-se ver a notícia completa e mais o artigo de Rolland e uma pequena entrevista com ele no jornal do 15 de marzo na secçom de Cultura e Sociedade da hemeroteca de www.farodevigo.es

“Ninguna bofetada sustituye a la persuasión, pero alguna -en la ocasión y el momento adecuados- puede servir de aldabonazo para que las razones persuasivas sean mejor atendidas". Es una de las frases del artículo "¡Te daba así!" con el que el filósofo vasco Fernando Savater ha ganado el XXVII Premio Nacional de Periodismo Julio Camba, dado a conocer ayer en Pontevedra.

Savater defiende el cachete a los niños como forma excepcional de hacerles ver los límites de su comportamiento en una sociedad civilizada. Argumenta el filósofo que tan malo es maltratar a un niño como dejarle crecer sin que tomen conciencia de estos límites.

Contra la tesis de que el castigo físico traumatiza al menor, Savater dice que "pasada la indignación rebelde del momento, cualquier niño sano puede comprender la diferencia entre unos padres exasperados hasta el límite de su paciencia (pero dispuestos inmediatamente a perdonar y acariciar) de otros predispuestos por incapacidad o vicio a la agresión".

Há quem acredita na “pureza” das ideias, e que estas sao boas ou más independentemente de quem as diga, que elas tenhem vida própria e apenas nos usam a nós, os humanos, para se manifestarem. Eu tenho as minhas dúvidas a esse respecto, e creio mais bem que o mundo nao é senom como os humanos o vem. Nao há duas vissoes iguais, e cada quem pensa duma maneira que manifestar-se-á em todas as facetas da sua vida.

Por isso nao me surprende a teoria da labaçada educativa do sr. Savater: nao é mais que uma micro-aplicaçom da labaçada educativa que leva anos defendendo em Euskadi, é dizer, a perda do direito à expressom, reuniom, manifestaçom e organizaçom política dos que “defienden el tiro en la nuca” e tudos os que se juntem com eles, por ejemplo uma lista eleitoral onde participe um senhor que foi nas listas de Herri Batasuna no ano 84, ou uma mulher que participe activamente nas Gestoras pola Amnistia ou seja proprietária duma Herriko Taberna. É claro que a estes bascos há que amosar-lhes cuma agarimosa labaçada onde estam os límites!

Diz o sr. Savater que “cualquier niño sano puede comprender la diferencia entre unos padres desesperados hasta el límite de su paciencia (..) de otros predispuestos por incapacidad o vicio a la agresión”. Mas nao é assim, trabuca-se o sr. Savater. O menino nao pode. Isso que diz o sr. Savater é uma afirmaçom gratuita, e mais vindo de quem se apresenta a si mesmo como Catedrático de Universidade. E já nos explicará em que consiste isso do vício.

O doctor Carlos González, no seu libro Bésame mucho, como criar a tus hijos con amor –cuja lectura recomendo a todo futuro pae ou mae- afirma: “A agressom dum desconhecido pode-te causar dor física e medo. Mas, o teu próprio pae! À dor e ao medo unem-se o asombro, a confussom, a traiçom e a culpa (...) Um desconhecido só golpea o teu corpo; teus paes ademais, podem-te golpear a alma”.

E continua: “Podemos inventar mil excusas para disfarzar a realidade, mas o certo é que a nossa sociedade condea a violéncia, agás quando a vítima é um cativo (..) Cada dia há cativos entre nós que recebem pancadas por “contestar” a um adulto, que escuitam berros, burlas e insultos por actividades perfectamente inocentes, que som castigados por accidentes ou erros involuntarios, que som recluidos durante horas em quartos convertidos em celas de castigo, que som obrigados a tragar-se o que acabam de vomitar ou som castigados sem ejercício ao ar livre ou sem actividades de ócio (...) Quando a vítima é um cativo e o agresor outro cativo, um mestre ou sobre todo um pae, toleram-se e por vezes aplaudem-se doses incríveis de violéncia”.

Quando vas ser pae, à gente encanta-lhe explicar-te o que vai mudar a tua vida, que a partires de agora vai girar sempre arredor dos meninos. O que ninguem te diz, porque ninguem gosta de reconheze-lo, é que por momentos perderás a paciencia e reaccionarás agresivamente contra essa pessoazinha pela que mesmo darias a vida. É duro, mas é assim, e o que é realmente mesquinho é pretender justificá-lo. Uma labaçada nao é educativa, é simplesmente um gesto de impoténcia, um jeito de descarregar a fustraçom que produz nao poder controlar uma situaçom.

Ter filhos pode ser uma oportunidade de crescer e convertir-se numa pessoa melhor, de nao repetir o que fizeram contigo, ou de fazer ejercicios de auténtica hipocresia moral. Nengum adulto toleraria que lhe deram uma pancada, ou que o insultasem e humilhasem a cotio, nem a lei o permitiria. Os cativos sim, porque eles nao podem escolher, e porque a sua dependéncia dos adultos é tam forte que som capaces incluso de aceitar os maus tratos como prova de carinho, a falta de algo melhor. E a sociedade o consinte, justifica e aplaude simplesmente porque os cativos nao se podem defender.

De parte de todos os cativos do mundo, parabéns aos sres. Savater, Alfredo Conde (presidente do jurado), Víctor Fernández Freixanes, Manuel Fernández Areal, Carlos Valle Pérez (membros do jurado) e sres. da Caixanova.

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