Quarta-feira, Novembro 08, 2006

Nem há provas, nem as haverá

Este domingo, aproveitando que os meninos marcharam cedo, fiz algo que levava tempo sem fazer: meter-me no corpo uma sesao dupla de cine. Os filmes escollidos forom Scoop de Woody Allen, e GAL de Miguel Courtois, nesta orde.

Woody Allen é um director que acostuma a agasalhar-nos tudos os anos uma película. Como acontece com Ken Loach, acodir a ve-la é como o prazer de se reencontar cum velho amigo. Nesta ocasao Allen volve trabalhar com Scarlett Johannson, uma grande actriz e provavelmente a mais explosiva do planeta neste momento. Allen disfarça a sua beleça tras uns óculos e umas roupas que fam-na parecer um chisco mais gorda do que em realidade é, mas nas cenas de cama, quando Johannson pousa os óculos na mesinha-de-noite, é impossível evitar que a sensualidade felina desta mulher invada o ecrá cuma brutalidade dificil de descreber com palavras. Allen regala-nos uma cena com Scarlett em traje de banho ao comezo da película, e já contra o final da mesma, um outro plano dela saindo do lago completamente molhada e coa roupa pegada ao corpo que corta o impo. Os varoes heterosexuais com problemas cardiacos deveram evitar olhar esta última cena.

Allen volve retratar nesta fita a clase alta inglesa, com Johannson no papel duma jovem estudante que, ajudada pelo próprio Allen, achega-se ao filho dum lord que ela suspeita autor duns assessínios em série. Tudo transcorre em clave de comédia, cum bom trabalho de interpretaçao por parte de tudo o reparto, localizaçoes em grandes saloes da burguesia, e Allen autoparodiando-se a si mesmo. Uma película tranquila e ligeira para quem lhe apeteza passar um serao agradável no cine e nao sair coa sensaçao de que o estafarom.

Após média hora de respiro, entrei a ver a seguinte. A verdade é que tinha certo reparo em ver esta outra película, pois as aproximaçoes do cinema espanhol ao tema da ETA adoitam ser abondo más, aí estam Dias contados, Yoyes ou Lobo, esta última do mesmo director que GAL. Mas o reparto estava encabeçado por Natalia Verbeke e Jordi Mollá, e isso foi suficiente para vencer as minhas resistências: a verdade é que sentia grande curiosidade por ver esta película.

E depois de ve-la, posso dizer que a crítica publicada em El Pais nao lhe fez justiça. Nao estamos ante uma peliculinha de bons e maus cuma história de amor pelo médio, senao ante uma mui boa reconstrucçao do que foi a história dos GAL. A película combina as doses necessárias de ficçao para armar um bom filme de intriga e acçao, cum respeito escrupuloso aos feitos reais nos que se basea: tudo o que se conta é absolutamente certo, até o ponto de que algumas das frases dos protagonistas estám sacadas literalmente da realidade (“ni hay pruebas, ni las habrá...”). Surprendente a carectizaçao de Mollá como José Amedo, já temos um candidato seguro ao Goya como melhor actor de reparto, e mui bem Natalia Verbeke e José García, a quem eu nao conhezia, como parelha protagonista. O único que nao sabemos se realmente aconteceu como se conta sao os diálogos entre Pedro J. Ramírez e os altos mandatários do governo socialista, teriamos que nos fiar da versao do Pedro J. mas, conhezendo o macarras que sao os políticos em geral, e F. González em particular, e o que se estavam a jogar, é seguro que o Pedro J. recebeu deles algo mais que boas palavras. A película alonga-se um chisco na sua resoluçao, mas em nengúm momento chega a aburrir.

Porém, há duas coisas nas que sim tem razao El Pais: a primeira, que a cúpula do Ministério de Interior, é dizer, Barrionuevo e Vera, nao forom condeados por homícidio e assassinato, como se da a entender ao remate da película, senao apenas por secuestro e malversaçao de fundos reservados. E a segunda, que Pedro J. Ramírez nao é o jornalista preocupado pela ética da sua profissiao que se nos amostra senao mais bem um homem que desfruta no ejercício do seu poder, neste caso torpedeando o governo socialista. E a estas duas objecçoes eu engadiria um par mais. O filme se cinge tanto a feitos contrastados, que a referência à inteligência militar como responsável última dos GAL é excesivamente velada para o meu gosto (“alguém deveu convencer ao governo socialista...”). E por último, nunca saberemos com seguridade quais foróm as motivaçoes que levárom à organizaçao dos GAL. O filme atribue-o a uma forma de pressionar a França com atentados no seu território para conseguir uma maior implicaçao do seu governo na luita anti-ETA. Pessoalmente inclino-me por pensar que, como sucedeu tantas vezes na história da ETA, foi mais bem um diálogo entre militares, no que neste caso os de um bando escolhérom o jeito de poder golpear ao bando contrário lá onde a legislaçao nao lhes permitia chegar, como tanto tem acontecido e acontece ainda hoje ao longo e largo de tudo planeta, e com as conseqüências políticas que isso tem.

Em definitiva, um bom filme, mui entretido para tudo aquel que goste de conhecer e analisar os avatares políticos das últimas decadas em Espanha, ou que conhecendo a história nao se importe de que lha contem em imagens. Quiças um director mais socialmente comprometido lhe tivesse dado o último toque, mais pesse a tudo, está bastante bem.

gal [Reply]

José García, originario "do Carballiño, Ourense"

Comment by ourensan (11/09/2006 13:20)

[Reply]

Yo no creo que Scarlett parezca gorda "por las ropas", sino que realmente se está poniendo rellenita, lo cual habrá a quien le decepcione, pero que es sin duda un elemento distintivo más (además de su extraordinaria belleza), en estos tiempos en que se abusa tanto de la delgadez extrema.

Comment by galeginho (11/10/2006 21:24)

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